17/12/2007 - Soja - Cotações são históricas em CBOT
O mercado internacional da soja vai confirmando as projeções traçadas pelos
analistas e produtores há quase um ano, que apostavam na recuperação das
cotações, especialmente em função da demanda aquecida e no avanço do milho sobre
áreas originalmente ocupadas pela oleaginosa, principalmente nos Estados Unidos.
A certeza de que a procura pelo grão será maior do que a oferta, ou uma equação
muito próxima disso, fez com que na última sexta-feira, a cotação atingisse a
marca de US$ 11,64 por bushel na Bolsa de Chicago, cifras que representam o
maior valor desde julho de 1973, quando a máxima foi de US$ 11,87 por bushel. Em
outras palavras, o grão alcançou o maior preço dos últimos 34 anos e entra para
história como o segundo maior.
Convertendo o preço, a saca de 60 quilos obteve a cotação de US$ 25,66, já que o
bushel é um padrão de medida norte-americano equivalente a 27,2154 quilos.
Para se ter uma idéia do avanço dos preços em Chicago (CBOT), em apenas um ano,
a variação da cotação registra incremento de 75,8%. Comparando o preço da última
sexta-feira, US$ 11,64/bushel com o fechamento do pregão de 14 de dezembro de
2006, quando a cotação ficou em US$ 6,62/bushel, é possível perceber a alta. “Há
um ano o mercado vem revelando máximas históricas e agora a soja alcança a
segunda maior da história”, frisa o analista de mercado da Agência Rural
Commodities Agrícolas (AgRural), em Cuiabá, Daniel Sebben.
O presidente do Sindicato Rural de Tapurah (433 quilômetros ao médio norte de
Cuiabá), Marusan Ferreira Barbosa, confirma os bons preços à saca, mas revela
que menos de 5% dos produtores da região serão beneficiados com a ‘onda altista’
de Chicago, já que mais de 70% da produção prevista nesta safra 07/08 – em 16,78
milhões de toneladas – foi comercializada antes mesmo do plantio.
“As lavouras foram vendidas por preços em média de US$ 10,80, o que com dólar na
casa de R$ 1,74 dá cotação local de R$ 18 por cada saca. Na melhor das
hipóteses, a relação custo de produção e renda ficará empatada. O que o governo
federal e a sociedade em geral têm de entender é que por mais uma safra não
haverá renda para honrar o pagamento de um passivo de três safras ruins”. A
dívida agropecuária no Estado, entre securitização, financiamentos e custeio,
contabiliza R$ 10 bilhões.
“A valorização da saca em Chicago não representa nada para o produtor estadual,
porque não há nada em mãos para ser comercializado”. A AgRural confirma que da
safra velha (06/07) não há praticamente nenhum grão em poder do produtor.
As cotações, que são as melhores das últimas três décadas, como lembra o
ruralista, são atrativas no mercado disponível, ou seja, para quem tem soja
armazenada, à pronta-entrega. “E nenhum produtor tem grão da safra passada
disponível. Ou seja: mais uma vez os grandes beneficiados serão as
multinacionais (trades) que estão com os grãos”, explica. No mercado futuro,
como informa o analista da AgRural, as cotações fixadas para entrega a partir de
março, por exemplo, obtêm neste momento preços que variam de US$ 16,5 a US$ 19,
dependendo da região do Estado, valores considerados remuneradores no atual
cenário, porém “desfrutado por poucos produtores”, como frisa o presidente do
Sindicato Rural de Tapurah. A Associação dos Produtores de Soja do Estado de
Mato Grosso (Aprosoja/MT) confirma que, em média, 66% da produção de soja do
Estado foi fixado a US$ 12.
“É um ciclo vicioso. Vendemos de maneira antecipada para poder iniciar a safra
trocando a soja a ser plantada por insumos e no final da temporada não temos
mais grãos estocados para aproveitar a tradicional elevação de preços durante a
entressafra. Aí, temos de comprometer nossa soja novamente antes de plantar para
ter acesso aos insumos”, adverte.
Marusan lembra que na safra passada os contratos futuros tiveram preços fixados
em US$ 9. “O médio norte e norte do Estado têm a pior logística do país”,
reclama. Ele conta que o frete, que variava de US$ 80 por tonelada de Tapurah ao
porto de Paranaguá (PR) na temporada passada, já apresenta novos preços: US$ 120
por tonelada.
Fonte: Diário de Cuiabá.